Suinocultura

Bem-estar animal: benefícios da vacinação intradérmica

Tecnologia de injeção sem agulha é mais animal-friendly

Há muito tempo atrás, quando eu ficava todo o dia na fazenda devido ao trabalho, conversávamos com outros profissionais do setor de suínos sobre o fato de que, em algum momento, teríamos que integrar mais tecnologia à produção de suínos. Isso tendo em mente que, naquela época, os robôs já eram utilizados rotineiramente na fabricação de automóveis, enquanto nas nossas fazendas, tirando exceções, os negócios mais técnicos usavam a ventilação forçada ao máximo. Em resumo: nós claramente precisávamos implementar ferramentas e processos tecnológicos para nos ajudar no trabalho, sendo isso benéfico tanto para o bem-estar dos nossos animais como para nós mesmos, como pessoas responsáveis pela produção de suínos.

Alguns anos depois, graças à criatividade e ao foco na produção por parte de algumas empresas, a inovação tecnológica nos ofereceu uma ferramenta com influência direta no processo de vacinação das nossas fazendas. Essa é uma das tarefas com maior impacto no estado de saúde de nossos sistemas e que utiliza uma importante fração do tempo de nossa equipe.

Embora todos saibamos e aceitemos sua importância, essa tarefa normalmente não recebe a atenção e dedicação que merece. Na verdade, durante a nossa rotina do dia a dia esquecemos que a imunização tem um grande impacto na estabilidade do estado de saúde e nas figuras de desempenho. Esse processo de vacinação também envolve, na fazenda, um custo significativo em relação a outros custos de saúde.

Sistema IDAL de injeção sem agulha

O interesse da empresa pela tecnologia de injeção sem agulha foi motivado pela busca por ferramentas mais animal-friendly e que não fossem vetor para infecções entre os porcos vacinados. Isso porque a vacinação é uma atividade que normalmente é realizada em toda a população, e onde é muito difícil manter boas práticas de higiene.

Depois de anos experimentando vários sistemas sem sucesso, surgiu esse novo, o de vacinação IDAL, que alcançou exatamente o que precisávamos. Ele também tem, como vantagem adicional, o benefício de ser um instrumento digital que fornece informações valiosas para melhorar e controlar de forma eficiente o processo de vacinação.

Antes de sua implantação, esse sistema de injeção foi avaliado por nosso Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, para estabelecer sua eficácia com a vacina utilizada. Isso teve que ser avaliado, porque essa ferramenta muda o conceito de vacinação intramuscular para um conceito de vacinação intradérmica, e isso era novo para nós. No experimento realizado, os resultados obtidos em termos de taxa de conversão alimentar, ganho de peso diário e perdas animais não mostraram diferenças estatísticas significativas no grupo de animais com vacinação tradicional em relação aos vacinados com sistema IDAL, validando seu uso. Além disso, no mesmo ensaio, especialistas em bem-estar animal realizaram uma avaliação que mostrou que os sons emitidos por suínos vacinados com o sistema sem agulha eram significativamente menores do que os vacinados com o sistema tradicional. Isso fornece uma resposta ao primeiro de nossos objetivos quanto à obtenção de um benefício no que diz respeito ao bem-estar animal.

Uma vez que esse sistema foi validado, iniciamos a implementação massiva desse equipamento na fazenda, onde pudemos realmente avaliar os demais benefícios práticos proporcionados por este sistema digital. Além dos mais conhecidos, como a prevenção de abscessos causados pela infecção por agulhas, agulhas quebradas encontradas na carne e a transmissão de infecções entre animais que foram vacinados com a mesma agulha, quero destacar duas facetas que, na minha opinião, contribuem muito para o processo de vacinação na fazenda:

Controle preciso do número de vacinações realizadas

O sistema registra o número de doses administradas por cada equipamento de injeção, e ao final do dia, ou de um determinado período, podemos definir o número de doses administradas e os suínos tratados. Assim, é possível realmente controlar o processo de vacinação realizado. Por exemplo, no caso da vacinação ao desmame, como é nosso, posso determinar quantos leitões desmamados devo vacinar por semana, de acordo com os alojamentos de parto e desmame, e comparar com as doses realmente utilizadas nesses quartos de acordo com o equipamento IDAL. Também posso comparar a quantidade de doses de vacina utilizadas (a queda no estoque) em relação ao estoque inicial. Podemos seguir o mesmo processo para verificar as vacinações administradas versus o número de animais nos aposentos de engorda, que devem ser vacinados, e o estoque da vacina. Essa informação é básica para aqueles que trabalham em fazendas, pois como diz um amigo: “O que não é medido não é controlado”. Desta forma, evitamos problemas com o inventário ou com vacinações ruins. Quantas vezes pensamos que temos uma nova cepa de um vírus porque a vacina não funciona e vemos surtos da doença? Mas a primeira pergunta é: a vacina foi administrada corretamente?

Processo mais rápido e eficiente

Esse equipamento de injeção é o primeiro que vi com a velocidade apropriada para administrar com eficiência mais de 1.000 doses diárias por fazenda. Nós inclusive mensuramos que o processo é 30% mais rápido e eficiente do que usar as multidoses de seringas tradicionais, considerando que há uma velocidade maior na troca do frasco e que não existe necessidade de trocar a agulha após um determinado número de injeções. Em resumo, acho que este tipo de ferramenta nos permite melhorar gradualmente nossos procedimentos operacionais e também o bem-estar e a saúde de nossos porcos. Nesse sentido, é importante utilizar novas tecnologias que possam nos ajudar, mas somente depois que forem comprovadas e validadas em nossos próprios sistemas.

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