Pecuária

Inseminação artificial em bovinos: os cuidados para realizar o procedimento com segurança

5 janeiro 2022

Com a inseminação artificial em bovinos é possível promover o melhoramento genético do rebanho

A inseminação artificial em bovinos é um método que oferece largas vantagens aos criadores. Graças a ela, é possível promover o melhoramento genético do rebanho e torná-lo ainda mais produtivo de forma rápida e intensiva. No entanto, esse procedimento técnico deve contar com toda a segurança necessária, pois se realizado de forma inapropriada pode acarretar prejuízos para os animais. Entenda mais sobre essa biotécnica reprodutiva:

O que é necessário para fazer a inseminação artificial em bovinos?

De acordo com o médico veterinário João Paulo Barbuio, que é mestre em Reprodução Animal, é preciso observar o ciclo reprodutivo da fêmea para que a inseminação tenha sucesso. “Existem diversos sintomas que a fêmea apresenta que caracterizam um possível cio, tais quais: aumento de atividade, diminuição do apetite, inquietação, aumento de micção, presença de muco uterino etc. Entretanto, o sinal que determinará de fato que esta fêmea está em cio é a aceitação de monta pelo rufião ou mesmo por outras fêmeas que estejam no mesmo ambiente. A partir da observação da aceitação de monta podemos realizar a IA 12 horas após esta observação, quando a fêmea se encontrará no momento de maior fertilidade para receber a IA”, esclarece.

“Temos uma alternativa para aumentar a taxa de prenhez das fêmeas através da utilização da ferramenta IATF, quando realizamos a sincronização dos cios e das ovulações através de um protocolo farmacológico que permite a IA em tempo fixo (IATF), dispensando a necessidade de observação de cios”, acrescenta o médico veterinário.

Antes de efetuar a inseminação artificial em bovinos, a vacinação de gado deve estar em dia 

​​O médico veterinário ainda ressalta a importância da vacinação e proteção do rebanho contra doenças que possam prejudicar a reprodução.“Considerando o fator sanitário, é altamente recomendável que todas as fêmeas que receberão a IA estejam protegidas contra as principais doenças reprodutivas e que causam perdas embrionárias e/ou fetais desde a gestação precoce até o parto. As principais doenças aqui relacionadas são: brucelose, IBR, BVD, Leptospirose, Campilobacteriose”, explica.

Cuidados essenciais na inseminação artificial em bovinos

Também é muito importante prezar pela segurança não só do inseminador, mas também do animal, garantindo a imobilização do bovino, bem como a limpeza cuidadosa do aparelho reprodutor do animal. A pistola de inseminação também deve ser manipulada de forma apropriada, por mãos especializadas. “É importante ter o máximo de cuidado durante a manipulação do sêmen e do aplicador de sêmen durante a realização da IA. Neste contexto é fundamental que a manipulação das palhetas, bainhas de inseminação, aplicadores de sêmen, assim como a limpeza da vulva da vacas sejam feitas de maneira mais higiênica possível, evitando-se carrear contaminações para dentro do útero”, afirma o especialista em reprodução animal.

A inseminação artificial em bovinos pode não dar certo? 

Caso os cuidados supracitados não sejam tomados de forma acurada, a inseminação artificial em bovinos pode ser infrutífera, como explica o médico veterinário. “A consequência do descontrole de qualquer fator levará invariavelmente a um resultado de concepção da IA abaixo do esperado, sendo que a associação de alguns daqueles fatores em descontrole pode, inclusive, determinar uma taxa de prenhez de 0%, ou seja, não conseguiremos emprenhar a fêmea nunca”, diz João Paulo.

Fatores como nutrição inadequada, sanidade, genética, inseminadores destreinados, sêmens de baixa fertilidade, manejo, descongelamento do sêmen, estrutura física da fazenda também podem ter impacto na eficiência do procedimento. “Além disso, a contaminação do útero das fêmeas teria como consequência a baixa fertilidade da IA além de desenvolvimento de infecções uterinas severas”, acrescenta.

Rebanho estressado pode diminuir a eficácia da inseminação artificial em bovinos

Segundo o mestre em Reprodução Animal, é essencial favorecer o bem-estar das fêmeas para que a operação tenha sucesso. “Precisamos lembrar que a fêmea estressada libera substâncias que irão interferir negativamente no resultado da IA. Entre elas podemos citar o cortisol, que age inibindo a liberação dos hormônios relacionados à reprodução desta vaca, diminuindo o resultado de concepção da IA. Há um programa de serviço conhecido como Criando Conexões, que permite o manejo destas fêmeas com baixo estresse, através de uma técnica aprendida nos EUA que é capaz de conduzir os animais de maneira gentil até eles receberem a IA. Como resultado, as fêmeas ficaram muito mais calmas durante o manejo de curral e apresentaram uma taxa de prenhez 8% superior ao manejo tradicional da fazenda”, finaliza o veterinário.

Por fim, podemos concluir que existem uma série de medidas que devem ser tomadas para realizar o procedimento com segurança e atingir acurácia. É preciso lembrar que, como qualquer outro método, a inseminação artificial em bovinos não é infalível, mas adotando esses cuidados e conhecendo o passo a passo do procedimento é possível garantir o melhoramento genético do gado.

* João Paulo Barbuio é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP) e é mestre em Reprodução Animal também pela USP. Tem atuado direta e indiretamente com biotécnicas de reprodução da fêmea bovinas durante os últimos 25 anos e atualmente é gerente técnico na MSD Saúde Animal.

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