Aquicultura

O que é Streptococcus e como peixes podem contrair a doença

Streptococcus é uma das infecções mais comuns em tilápias

De acordo com uma pesquisa da revista de Ciência Veterinária e Saúde Pública, a aquicultura é um dos ramos de produção animal que estão em maior expansão. Por isso, é de extrema relevância sabermos um pouco mais sobre as doenças relacionadas a peixes e outros animais aquáticos. Uma das mais graves é o Streptococcus, uma bactéria anaeróbica que possui formato de cocos e é encontrada em ambientes de água doce, salobra ou salgada.

Embora os animais estejam suscetíveis a diversos tipos de doenças em território aquífero, a infecção dos peixes por Streptococcus é uma das principais no cultivo de tilápias. Esse, por sua vez, corresponde a uma grande parcela de produção aquícola do Brasil e cresce cerca de 14,2% ao ano, de acordo com um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), realizado em 2017. Isso gera produtividade reduzida, mortalidade significativa de peixes e grandes impactos econômicos.

Qual é a proporção da produção aquícola mundial e nacional?

Um estudo realizado pela Food and Agriculture Organization (FOA) comprova que a produção de proteína de peixe e de outros animais aquáticos já abastece metade da demanda mundial. Além disso, é capaz de atender à outra parte em expansão, que está à procura de alimentos.

A professora e doutora do Centro de Aquicultura da Unesp (CAUNESP) Fabiana Pilarski afirma que um dos grandes desafios da humanidade é garantir alimento em quantidade e qualidade adequadas para uma população em constante crescimento. “Segundo previsões, seremos cerca de 9 bilhões de habitantes ainda no século XXI. E uma das grandes promessas para o fornecimento de proteína de qualidade para as pessoas é o pescado”.

A produção de tilápias no Brasil chama a atenção pelo seu crescimento intenso, com um ambiente favorável tanto em relação ao clima, quanto em reservas de água. De acordo com Fabiana, o nosso país é o segundo maior produtor de pescado do continente latino-americano e o quarto maior produtor mundial de tilápia.

Entretanto, é preciso estar atento à ocorrência de surtos de infecção com alta mortalidade e sinais neurológicos por Streptococcus. “A resistência bacteriana aos antimicrobianos, que vêm surgindo num ritmo desproporcional ao do desenvolvimento de novas alternativas profiláticas e terapêuticas, é um cenário preocupante”, revela Fabiana.

Conheça as espécies de Streptococcus que são mais comuns em peixes e seus serotipos:

S. agalactiae (Ia, Ib e III): é responsável pela meningoencefalite e septicemia em uma variedade de espécies de peixes. É também a que apresenta maior número de casos observados e, consequentemente, possui maior importância econômica.

S. iniae: também é responsável pela meningoencefalite em tilápias do Nilo, espécie de origem africana que foi introduzida no Brasil.

O que acontece quando o peixe contrai Streptococcus?

Existem duas formas de transmissão da doença ao peixe: direta, que é o contato de um peixe sadio com um infectado e a indireta, pela bactéria presente em uma água com pouco oxigênio e alta concentração de amônia.

Médico veterinário e pós-doutorando em Aquicultura na VPS-FMVZ/USP pelo Programa Nacional Pós-Doutorado (PNPD) da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Pedro Henrique Magalhães Cardoso explica que as manifestações clínicas da estreptococose nos peixes ocorrem principalmente no verão e são de dois tipos: clássica e atípica.

Ele observa que na manifestação clássica de Streptococcus, as principais alterações observadas são: aumento do volume na região abdominal, natação errática — com o peixe nadando na superfície em círculos —, exoftalmia (olhos saltados) e mortalidade elevada. Já na manifestação atípica de Streptococcus ocorrem surtos de mortalidade nos lotes, porém não são verificados animais com sinais clínicos clássicos. Os animais ficam letárgicos e acabam morrendo sem sinais clínicos. Não há lesões externas, porém, em necrópsia é observada a morte do tecido branquial e lesões no coração, denominadas pancardite.

Quando há a incidência de lesões causadas por Streptococcus na carne do peixe, o indicado é a não ingestão do animal. “Se o peixe teve a estreptococose e se recuperou da doença, a carne continua sendo comestível. O que não se recomenda é a ingestão de carne com animais doentes, pois algumas espécies têm caráter zoonótico”, esclarece o médico veterinário.

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