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Sintomas da doença do carrapato em cachorro e como evitar que ela afete também os seres humanos

4 Fevereiro 2022

A doença do carrapato engloba diversas enfermidades transmitidas por ectoparasitas, como a babesiose, que também pode acometer seres humanos

Doença do carrapato é o nome dado a um conjunto de enfermidades transmitidas por esse parasita, que inclui, dentre outras, a babesiose canina, a erliquiose e a anaplasmose,  sendo a primeira uma das principais zoonoses transmitidas por carrapato. O principal vetor dessas enfermidades é o Rhipicephalus sanguineus, popularmente conhecido como carrapato marrom do cão, que pode transmitir os agentes infecciosos ao hospedeiro definitivo (cão ou ser humano) através da picada. A fim de entender como os sintomas da doença do carrapato se manifestam em cães e quais as formas de evitar que ela afete também os seres humanos, conversamos com o médico veterinário Marcio Antonio Barboza, que esclareceu as principais dúvidas sobre o assunto.

Sintomas da babesiose canina, doença transmitida por picada de carrapato

A babesiose, uma das doenças transmitidas pelo carrapato, tem como agentes etiológicos os protozoários das espécies Babesia canis e a Babesia gibsoni, sendo a primeira a mais prevalente. Outra forma de transmissão é através de transfusão sanguínea de animais infectados, embora essa via de contágio seja menos comum. 

Conforme aponta um artigo publicado na Revista PUBVET e endossado por Marcio Antonio, a babesiose é caracterizada pela hemólise das hemácias, o que está diretamente relacionado com os sintomas da doença. Após a picada do parasita, o protozoário se multiplica no interior dos eritrócitos, causando o rompimento dos glóbulos vermelhos. Com isso, desenvolve-se um quadro clínico de anemia associado à liberação de hemoglobina, o que gera hemoglobinúria e bilirrubinemia.

É importante ressaltar, contudo, que embora esses sejam alguns dos sintomas mais comumente associados à doença, cães adultos infectados podem ser assintomáticos e não apresentar anormalidades hematológicas. O médico veterinário cita fatores que podem influenciar na gravidade do quadro clínico das doenças em cães transmitidas por carrapato: “Os cães podem ter desde infecções assintomáticas a quadros graves dependendo de qual doença estamos nos referindo e do resultado da interação da patogenicidade do agente etiológico e do status imunitário do animal”.

Ainda com base no estudo divulgado na Revista PUBVET, o tratamento da babesiose consiste no controle parasitário, na moderação da resposta imune e na terapia dos sinais clínicos. No que diz respeito ao controle dos protozoários, a publicação indica que a espécie  B. canis apresenta uma maior resposta ao tratamento e probabilidade superior de responder apenas à terapia sintomática.

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Como prevenir a doença do carrapato em humanos 

Marcio Antonio afirma que como o termo “doença do carrapato” engloba diversas doenças, antes de pensarmos em medidas preventivas, devemos identificar qual é a infecção envolvida. “Nem todas são transmitidas ao ser humano e temos envolvidas espécies diferentes de carrapatos com comportamentos epidemiológicos e formas de controle diferentes”, explica o especialista. 

Em relação às enfermidades transmitidas por carrapatos que oferecem risco para os seres humanos, como é o caso da babesiose, o veterinário destaca que a principal medida preventiva é o controle do vetor. “Assim, manter os animais sempre protegidos com ectoparasiticidas, principalmente os de longa duração, previne a infestação neles e ajudam a controlar estes parasitas no ambiente, tornando menos provável a infecção do ser humano”, complementa Marcio.

Para além da importância do uso de parasiticidas em cães para prevenir infestações de carrapatos, o veterinário destaca que o cuidado com ambientes que possam abrigar carrapatos é essencial para evitar que a doença afete humanos. “Há espécies de carrapatos que possuem como hospedeiros principais os animais silvestres, como capivaras, as quais também habitam áreas urbanas. Portanto, é importante ter cautela ao frequentar o mesmo ambiente aos quais estes animais também têm acesso, e caso seja detectada uma infestação no ambiente, medidas diretas podem ser tomadas para o controle do parasita”, complementa.

A partir dessas informações, podemos concluir que a doença do carrapato é, na verdade, um conjunto de doenças transmitidas através da picada desse artrópode e que uma das mais frequentes em cães é a babesiose, podendo acometer os humanos. Os sintomas dessa doença no animal podem variar, dependendo de fatores como o status imunitário, mas geralmente alterações hematológicas estão presentes. Por fim, a principal forma de evitar que essa manifestação da doença do carrapato afete humanos é controlando o vetor e evitando ambientes que possam ter infestações parasitárias. Como existem etapas do ciclo dos ectoparasitas de cachorros que ocorrem fora do animal, é fundamental que os médicos veterinários alertem os tutores sobre a importância do controle no ambiente contra pulgas e carrapatos.

* Marcio Antonio Barboza (CRMV-SP: 12.624) é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP) e ocupa o cargo de Gerente Técnico Pet na MSD Saúde Animal.

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