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Bem-estar animal em galinhas poedeiras

O bem-estar animal, especialmente em galinhas poedeiras, é uma grande preocupação na indústria alimentar com repercussões globais, uma vez que a produção de ovos e produtos derivados de galinhas poedeiras pode ser afetada por uma variedade de fatores que afetam o seu bem-estar. 

Os fatores que podem afetar o bem-estar das galinhas poedeiras vão desde a escolha do sistema de alojamento (ao ar livre, intensivo-industrial usando gaiolas enriquecidas ou não), ao ambiente de crescimento, à qualidade do manejo humano, às características genéticas ou ao confronto desses fatores em diferentes combinações (1–3). 

O bem-estar animal deve abordar tanto a saúde física quanto a saúde mental em relação ao ambiente do animal. É necessário assegurar padrões de higiene, alimentação e estabilidade emocional, bem como evitar situações e ações que causem dor, sofrimento e medo nos animais, adaptando-se às características e comportamentos das galinhas para otimizar a produção de alta qualidade. 

Devido à crescente demanda por alimentos e à inflação de preços em escala global, o debate sobre o bem-estar animal tem adquirido especial relevância. Isso se deve ao fato de que as melhorias no bem-estar animal levam a um aumento nos custos para manter altos padrões, que no final se refletem no consumidor, especialmente naqueles com menor renda e também nas regiões mais empobrecidas do globo (4–6).

Os parâmetros de produção em relação ao bem-estar animal e melhorias futuras

Geralmente, diversos parâmetros zootécnicos são empregados para avaliar a produção das galinhas poedeiras. Esses parâmetros estão intrinsecamente relacionados ao bem-estar animal, como por exemplo, o acesso e ingestão de ração de qualidade e água limpa, as características, qualidade e número de ovos e o comportamento animal. 

Recentemente, alguns estudos propuseram estratégias pioneiras baseadas na implementação de plataformas digitais.  Através de sensores de atividade, visuais e sonoros que podem ajudar a coletar o máximo de informações possíveis sobre as galinhas. 

O uso dessas plataformas e algoritmos de aprendizagem automática é recomendado para melhorar o bem-estar animal. Graças a eles, é possível detectar precocemente uma redução nos parâmetros zootécnicos que podem derivar de um bem-estar animal abaixo do ideal (4,7).

Atualmente, cientistas e criadores enfrentam o enorme desafio de otimizar a genética, os sistemas de produção e a nutrição. O objetivo é controlar fatores variáveis que possam causar problemas dentro do plantel.

Entre os aspectos que buscamos controlar através da otimização genética estão os altos níveis de estresse, feridas, danos/perda de penas causados por bicadas entre os animais e até canibalismo e morte dentro do plantel devido a essas lesões. Nesse sentido, a seleção genética de características benéficas é uma estratégia comprovada para reduzir as bicadas graves e preservar a taxa de postura de ovos e a longevidade animal (2,8).

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O aspecto mais debatido: a escolha do sistema de alojamento

A escolha do sistema de alojamento é uma das principais decisões relacionadas ao bem-estar das aves comerciais, fomentando estudos científicos e gerando muitos debates nas últimas décadas. Essa escolha do sistema deve pesar possíveis melhorias no bem-estar animal em relação à opinião pública e fatores econômicos, entre outros. 

O uso de gaiolas tem características diferentes em várias partes do mundo. O aumento do número de galinhas poedeiras em gaiolas convencionais pode ser correlacionado com o aumento da produtividade total por gaiola, em que pese o fato de que a postura individual de cada galinha ser reduzida devido a problemas de saúde como a osteoporose (2,7). 

Na União Europeia o uso de gaiolas foi abolido após a proibição em janeiro de 2012 e, hoje, esta possui os padrões de bem-estar animal mais altos do mundo se comparada com a China, um dos maiores produtores de ovos do mundo. A China ainda é altamente dependente do uso de gaiolas. Por outro lado, alguns países adotaram o uso de gaiolas enriquecidas, com uma área mínima de 800 cm2, com acesso a banhos de areia e poleiros (3,9).

É importante ressaltar as principais vantagens da produção orgânica ao ar livre em relação ao bem-estar animal. Estando ao ar livre, as galinhas podem expressar comportamentos naturais de forrageio, empoleiramento, nidificação, reprodução (na presença de galos) e banho de areia, entre outros, o que as faz ter um melhor estado físico em relação à plumagem e à osteoporose, dada a redução do estresse. 

Com a escolha da criação ao ar livre e de um sistema de produção orgânico, os riscos potenciais também devem ser avaliados. Por exemplo, o risco de infecções por micro-organismos. Uma maior liberdade também acarreta um aumento nas relações interespecíficas entre animais. Em caso de criação ou condições de alojamento abaixo do ideal, comportamentos nocivos e doenças podem se espalhar pelo plantel (9,10). 

É necessário implementar medidas preventivas de biosseguridade (Quais as vacinas para galinhas poedeiras e matrizes?? https://www.universodasaudeanimal.com.br/avicultura/quais-as-vacinas-para-galinhas-poedeiras-e-matrizes/), além de reforçar o sistema imunológico inato dos animais por meio de dietas direcionadas e adequada administração de probióticos e prebióticos (1,10). 

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Referências 

1. Bonnefous C, Collin A, Guilloteau LA, Guesdon V, Filliat C, Réhault-Godbert S, et al. Welfare issues and potential solutions for laying hens in free range and organic production systems: A review based on literature and interviews. Front Vet Sci. 2022;9. 

2. American Veterinary Medical Association. Welfare Implications of Laying Hen Housing. Available from: https://www.avma.org/resources-tools/literature-reviews/welfare-implications-laying-hen-housing

3. Saldaña MDR. El bienestar animal en gallinas ponedoras. Engormix. 2009. Available from: https://www.engormix.com/avicultura/articulos/bienestar-animal-gallinas-ponedoras-t27934.htm

4. Diaz I. Gallinas ponedoras – Bienestar y cuidado. Agrotendencia. 2021. Available from: https://agrotendencia.tv/agropedia/avicultura/bienestar-animal-en-gallinas-ponedoras/

5. Becerra R. Generalidades de bienestar animal en gallinas ponedoras. ABC Avicola. 2022. Available from: https://www.abcavicola.com/post/generalidades-de-bienestar-animal-en-gallinas-ponedoras

6. Certified Humane Latino | Bienestar animal. Manejo de gallinas ponedoras: conozca cuáles son las mejores prácticas y recomendaciones. 2022. Available from: https://certifiedhumanelatino.org/manejo-de-gallinas-ponedoras-conozca-cuales-son-las-mejores-practicas-y-recomendaciones/

7. van Veen LA, van den Oever ACM, Kemp B, van den Brand H. Perception of laying hen farmers, poultry veterinarians, and poultry experts regarding sensor-based continuous monitoring of laying hen health and welfare. Poult Sci. 2023 May 1;102(5):102581. 

8. El-Sabrout K, Aggag S, Mishra B. Advanced Practical Strategies to Enhance Table Egg Production. Scientifica. 2022 Oct 30;2022:1393392. 

9. Yan S, Yang C, Zhu L, Xue Y. The Potential of Understory Production Systems to Improve Laying Hen Welfare. Anim Open Access J MDPI. 2022 Sep 5;12(17):2305. 

10. Michel V, Berk J, Bozakova N, van der Eijk J, Estevez I, Mircheva T, et al. The Relationships between Damaging Behaviours and Health in Laying Hens. Anim Open Access J MDPI. 2022 Apr 11;12(8):986. 

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