Aquicultura

Os impactos da Septicemia Rickettsial do Salmão (SRS) na aquicultura

A Septicemia Rickettsial do Salmão causa impactos econômicos significativos na aquicultura e a forma mais eficaz de prevenir a doença é através da vacinação

A Septicemia Rickettsial do Salmão é uma das principais causas de mortalidade na aquicultura de Salmão do Atlântico – especialmente no Chile, país que tem a segunda maior produção de salmões no mundo. A doença é causada pela bactéria intracelular Piscirickettsia salmonis, que provoca uma infecção multissistêmica, afetando todos os órgãos. Conversamos com o mestre em Medicina Veterinária especialista em doenças de salmonídeos Sergio Vasquez sobre os impactos da Septicemia Rickettsial do Salmão na produção da aquicultura.

Infecção acontece na etapa marinha da aquicultura no ciclo do salmão no Chile

É importante saber o contexto, porque a bactéria Piscirickettsia salmonis não sobrevive nas condições da água doce, mas é altamente infecciosa no mar. “O agente tem sido detectado de forma escassa em água doce, com prevalência de 0,28%. A patogenicidade desta bactéria é amplamente expressa na água do mar, com prevalência em centros de cultivo marinhos de 60% em média. A expressão do agente depende de vários fatores como a susceptibilidade dos peixes, a quantidade e a virulência do agente no ambiente, diferentes variantes etc. P. salmonis pode produzir surtos leves ou graves, que podem se repetir muitas vezes ao longo do ciclo na água do mar’’, explica o mestre em Medicina Veterinária Sergio Vasquez.

O agente infeccioso é transmitido majoritariamente de forma horizontal, através das fezes e urina de animais infectados, porém, a transmissão vertical também foi reproduzida de forma experimental. A descoberta da transmissão vertical é relevante porque um mecanismo promissor tem sido estudado para mitigar a incidência da Síndrome Rickettsial do Salmão na aquicultura, através da resistência genética via reprodução seletiva. O artigo “Investigating mechanisms underlying genetic resistance to Salmon Rickettsial Syndrome in Atlantic salmon using RNA sequencing“, publicado na BMC Genomics, aponta que isso seria possível através da herdabilidade para resistência observada em outras doenças infecciosas que afetam populações de salmonídeos cultivados.

Septicemia Rickettsial do Salmão impacta diretamente a produção de peixe

Surtos da Síndrome Rickettsial do Salmão têm efeitos importantes de queda na produtividade da aquicultura. “Afeta em termos da mortalidade produzida, diminuindo a quantidade de peixes ou biomassa que será colhida no final do ciclo. Nos sobreviventes de um surto, ocorrem outras perdas, como lesões na pele, crescimento lento e péssimo estado devido a lesões em órgãos internos, que terminam finalmente em rebaixamento após a colheita, diminuindo a renda. Quando os peixes estão doentes, eles devem ser tratados com antibióticos. Se mais tratamentos forem necessários durante o ciclo, maiores serão os custos”, detalha o especialista em doenças de salmonídeos.

Vacinação é a prevenção mais eficaz contra a Septicemia Rickettsial do Salmão

A estratégia preventiva contra a Piscirickettsia salmonis é a melhor maneira de garantir o bem-estar animal e evitar perdas econômicas. O controle da doença é feito com a vacinação dos peixes em conjunto com boas práticas de biosseguridade. “A forma mais eficaz de prevenir a SRS é com vacinas de longo prazo, que geram uma resposta poderosa nos peixes, o que potencializa a atividade do sistema imunológico para controlar o agente. Boas medidas de manejo, como baixas densidades de cultivo, boa alimentação e manejos adequados dos peixes e biossegurança, são outras medidas que auxiliam na prevenção da doença​”, conclui Sergio Vasquez.

Ao falar de doenças na aquicultura, um paralelo que pode ser feito é entre a SRS e o estreptococose em tilápias. Ambas as doenças são causadas por bactérias, têm impactos econômicos significativos e devem ser prevenidas através da vacinação de peixes.

* Sergio Vasquez é graduado em Medicina Veterinária pela Universidad Austral de Chile e é mestre em Medicina Veterinária com especialização em Doenças de Salmonídeos pela Universidad San Sebastián de Puerto Montt. Tem mais de 30 anos de experiência na indústria de salmão chilena e é colaborador da MSD Saúde Animal.

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