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Cachorro e gato juntos em casa: 5 dicas para garantir uma convivência pacífica

29 Junho 2021

É possível criar cachorro e gato juntos sem que isso gere estresse para os animais

Embora a convivência entre cães e felinos seja tachada de difícil ou conflituosa, nem sempre isso ocorre na prática. Dependendo da personalidade de cada animal e da forma que o primeiro contato é introduzido, é possível que a interação seja amigável a longo prazo. Saiba mais sobre o assunto e confira 5 dicas que os veterinários podem recomendar aos tutores para garantir uma convivência pacífica entre cães e gatos!

Colocar cachorro e gato juntos não significa que o convívio entre eles será ruim, aponta estudo

O artigo Behaviour problems of cats reared individually or in coexistence with other animals (cats, dog), publicado na revista científica Folia Veterinária, da Universidade de Veterinária, Medicina e Farmácia em Košice (Eslováquia), propôs um estudo sobre o comportamento dos gatos domésticos em convivência com cachorros. A pesquisa tomou como base 4 grupos: famílias com um gato; famílias com dois gatos; famílias com três ou mais gatos; famílias com um ou mais gatos e um cachorro.

A metodologia consistiu basicamente em uma observação direta dos animais (para identificar possíveis comportamentos agressivos) e questionários aplicados às famílias. Os resultados mostraram que as duas espécies podem conviver de forma amigável. Adotar o gato antes do cão, inclusive, contribui para o desenvolvimento de uma relação mais sólida de amizade entre as duas espécies – principalmente caso o contato ocorra com ambos ainda bem jovens (gato de até 6 meses e cão de 1 ano). Isso porque, de acordo com o estudo, a exposição de uma espécie a outra em uma idade precoce facilita bastante o reconhecimento mútuo da linguagem corporal dos animais.

De acordo com o relato das famílias analisadas, na maioria das vezes a relação entre o gato e o cachorro era neutra ou positiva. Observou-se, inclusive, que é bastante comum uma interação baseada em brincadeiras de imitação da caça. Apenas em 20% das famílias observou-se agressão a gatos que eram levados para a casa por um curto período de tempo.

Dicas para garantir uma convivência pacífica entre cão e gato

Embora cães e gatos possam coexistir de forma pacífica, é importante compreender a personalidade de cada animal e não insistir em uma convivência forçada com outras espécies, como afirma a veterinária Izadora Trindade.  De acordo com a profissional, isso pode gerar, inclusive, problemas de saúde aos pets.

“Existem animais que são mais tranquilos e outros mais difíceis (que não aceitam uma boa adaptação com outras espécies). Os gatos, em especial, podem sofrer muitos problemas por conta do estresse. É comum, por exemplo, que o felino desenvolva cistite ou sofra perda de apetite (o que pode acarretar doenças no fígado) por estresse. Por isso, é importante ter bastante cautela ao introduzir a convivência com o cachorro ou até mesmo com outro gato, pois isso causa uma mudança na rotina do animal”, afirma a especialista.

A profissional também sugeriu outras dicas gerais que podem ser repassadas aos tutores dos pets:

1. Adestrar o cachorro para facilitar a convivência

Recorrer a técnicas de adestramento de cães é uma ótima estratégia para melhorar o convívio do cão com o gato no dia a dia. De acordo com a veterinária, essa medida pode fazer bastante diferença, principalmente em um primeiro contato. “O que você pode fazer para tentar ajudar nesse processo é adestrar o cão, para que ele aprenda a maneirar e a respeitar mais o espaço do gato”, afirma.

2. Deixar os animais separados em um primeiro momento

Outra sugestão importante é ter cautela para realizar o primeiro contato entre os animais e atentar aos comportamentos de ambos durante o processo. “O ideal, sempre que for introduzir um animal diferente no território de outro, é deixá-los separados em um primeiro momento. Em locais diferentes, mas de modo que eles possam sentir o cheiro um do outro. Posteriormente, ao realizar o primeiro contato entre ambos, o mais indicado é ficar sempre perto, monitorando até eles se acostumarem”, recomenda Izadora.

3. Recorrer aos feromônios sintéticos para gato

Utilizar difusores com essências específicas para acalmar os animais é outro truque que costuma funcionar muito bem. A veterinária destaca que isso pode favorecer a convivência entre cachorro e gato. “Existem alguns feromônios sintéticos para gato (dispositivos para ligar na tomada) que exalam determinado odor para deixar o felino mais tranquilo e, assim, auxiliar no processo de adaptação em casa”, sugere.

4. Separar a alimentação das duas espécies

A hora da alimentação dos animais requer uma série de cuidados para evitar brigas e acidentes. De acordo com a veterinária, o mais indicado é organizar a dieta do cão e do gato. “Outra dica importante é separar a alimentação das duas espécies. Idealmente, a comida do gato deve ficar no alto, para que os animais não duelem e também para que o cão não ingira a alimentação do gato, o que pode ser prejudicial para a sua saúde”, explica.

5. Procurar dar atenção igual para o cão e o gato

Quando se trata de dividir a atenção entre os animais, é muito importante tomar cuidado para não negligenciar um dos dois diariamente. De acordo com Izadora Trindade, esse ponto é fundamental para evitar conflitos. “O ideal é dividir a atenção entre os animais – não dê mais atenção para um do que para outro, por exemplo. Isso porque ambas as espécies sentem nesse aspecto, embora o gato seja um animal mais independente, ele também gosta e precisa de atenção e carinho. Então, não subestime esse lado do felino e procure dar uma atenção igual para ambos. Uma boa dica é oferecer petisco para os dois ao mesmo tempo para que eles entendam que são amigos e podem conviver em paz, sem haver ciúmes”, finaliza a veterinária.

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